sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PARADOXUM - Capítulo 6: O Paradoxo do Caçador

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O espanto era recíproco. Ao abrir a porta do contêiner me deparei com um homem. Nagini e Rudy não estavam mais lá. O homem me olhou e pude notar um tom confuso por trás de seus óculos escuros. Arrisquei acenar.

- Oi. - Disse de forma tímida e preocupada.

Sua mandíbula tremia e sua têmpora levitava. Ele parecia forçar o corpo que se recusava a obedecer. Ele pareceu tomar um impulso para me atacar, mas simplesmente desabou ao chão. Seu nariz sangrava de forma descontrolada, e percebi que ele havia começado a se engasgar. O virei de lado e ele vomitou. Ouvi o engatilhar de armas em nossa direção. Levantei levemente os olhos à minha frente e notei homens com máscaras de gás. Parecia que a única coisa que os impedia de puxarem os gatilhos era aquele homem em meus braços.

- Onde estão Rudy e Nagini? - Questionei a gritos, ao que eles se espantaram e abaixaram as armas. Um dos homens se desprendeu do grupo e caminhou lentamente até mim.

- Um zumbi falante? Essa parece ser novidade. - Ele disse em tom irônico, enquanto se agachava a nossa frente. - Coloque as mãos na cabeça afaste-se do Master Hunter.

Master Hunter não parecia um nome, e sim um codinome. Esses dez ou quinzes homens armados pareciam mesmo se importar com este homem que agora parecia tão vulnerável, desacordado no chão em frente ao contêiner. Larguei o homem no chão e me levantei, virando-me de costas com as mãos na cabeça.

Fui levado até uma sala pequena em largura, porém enorme em comprimento. Causava uma sensação de claustrofobia, ao mesmo que me sentia sozinho naquela imensidão. O contêiner, os corredores, os funcionários de jaleco, aquela sala... Tudo me fazia crer que ainda estava no mesmo lugar. Se não fosse aquela incomoda sensação de Déja Vu. Uma sensação de não estar no tempo correto.

Eu poderia dizer que fiquei anos sentado lá, me observando naquele enorme espelho a minha esquerda, enquanto aguardava. Mas provavelmente foram apenas algumas horas. A maçaneta girando pareceu ter durado mais tempo que toda a espera até aquele momento. Meu carrasco ou minha salvação poderia entrar por aquela porta. Não pude distinguir qual dos dois. Era Master Hunter, o homem que havia desmaiado bem a minha frente. Seu olhar agora parecia firme e estático, como se tentasse me intimidar. Ele se sentou em uma cadeira a minha frente mantendo a mesa de um metro de cumprimento como uma barreira entre nós.

- Guten Tag. - O saudei.

- Alemão? Interessante... - ele respondeu enquanto posicionava um gravador que piscava uma luz vermelha entre nós. - Qual seu nome?

- Não faço ideia de quem você e esses homens armados sejam. Não conversarei, nem informarei nada até que me tragam Nagini ou Rudy.

- Não há ninguém aqui com esse nome. E mesmo que tivesse, você já deve ter percebido que não está em condições de fazer exigências. Agora, seu nome.

- Dood. - Cedi em descontentamento.

- Dood... Isso não é holandês? Você sabia que seu nome significa morte em holandês?

Permaneci em silêncio.

- Então - ele prosseguiu - você é alemão ou holandês?

- Não sei. - Respondi de cabeça baixa.

- Se você quer sair daqui... vivo pelo menos. Vai ter que falar. Não são perguntas dificeis. O que você estava fazendo na SCP?

- Como eu já disse, essas são perguntas que apenas Nagini e...

Ele me interrompeu com uma pancada na mesa.

- Dood... Não sei de onde veio. Mas você está mais no seu lar. As coisas são diferentes aqui.

Qual mal pior do que o que eu já passara até aquele momento poderia me acontecer? Comecei a falar.

- Tudo que eu me lembro é de uma guerra. Suásticas por toda parte. Essas pessoas que eu procuro, me trouxeram até aqui.

- Para que?

- Para que eu pudesse... - Titubeei. Ele tinha razão. Eu não estava mais em meu lar. Lhe revelar minha ligação com o partido nazista e meu intuito de entregar a vitória na mão de Adolf Hitler seria arriscado demais. Eu não sabia com quem estava lidando. Continuei com uma versão mais amigável. - ... encontrar uma cura para minha doença.

- Você disse sobre uma guerra e suásticas. Exatamente que guerra é essa?

- Eu sei tanto quanto você.

- De que anos estamos falando Dood?

A pergunta me pareceu um tanto quanto absurda e óbvia.

- 1932.

- Está me dizendo que veio de 1932?

- Porque o espanto?

- 1932 são décadas no passado, Dood. Quer mesmo que eu acredite nisso? Você estava em plena segunda guerra mundial, e simplesmente acordou aqui? No futuro... Em uma SCP idêntica a essa?

Aparentemente o teleporte deu certo. Certo até demais. Antes que eu pudesse responder a ironia de Master Hunter, ele  demonstrou estar se sentindo mal. Reclinou a cabeça e aquele sangramento nasal começou novamente. Agora eu tinha certeza. Aquela coisa também estava por aqui. Este homem que atendia pelo nome de Master Hunter também era um dos contaminados.

O ronco da cadeira se arrastando para trás enquanto eu me levantava ecoou por alguns segundos. Me aproximei tentando fazê-lo reclinar a cabeça, isso ajudaria a fazer a tontura e o sangramento pararem, mas ele reagiu agressivamente. Não o culpo. Se um homem desconhecido com a carne podre viesse em minha direção eu agiria da mesma forma.

- Idiota, não se mova. Eu reconheceria a doença do Slender até morto! - o confrontei de forma irônica.


- Você conhece o Slender Man?

- Parece que vocês o conhecem assim aqui também. Porque você ainda não utilizou o antídoto?

- Porquê não existe um.

- Se no passado existia um antídoto, porque aqui não existiria?

A expressão no rosto de Master Hunter indicava que ele tinha entendido algum detalhe que tinha passado desapercebido por nós.

- Claro... - ele suspirou - Aquele contêiner não é uma máquina do tempo... É um portal entre universos paralelos.

Master Hunter apertou um botão no gravador. A luz vermelha se apagou. Ele aproximou o rosto do meu.

- Então, você tem esse antídoto?

- Master Hunter... É assim que te chamam não é? - o encarei - Sente esse cheiro? Sente esse cheiro de cadáver? Vê o tom amarelado da minha pele? Vê o meu corpo prestes a ruir? Eu pareço ter a cura para alguma coisa?

- Você pode conseguir?

- Não em mãos, mas a produção é fácil. - Respondi.

- Então produza!

Minhas garganta tremeu pronta para esbravejar um não. Mas percebi uma oportunidade naquele momento.

- Cura. Acho que esse é um objetivo em comum entre nós. Que tal um trato?

Simples, até. Eu tenho a solução para o problema dele, ele tem a solução para o meu problema. Master Hunter me encaminhou para uma bateria de testes. Eles me sedaram, me abriram e reviraram meu interior. Colocaram eletrodos, me deram injeções. Alguma dessas, acho que foi a responsável por manter minha fome sob controle.

Enfim, me reencontrei com Master Hunter. Ele parecia preocupado e sério, mas de certa forma animado com a promessa de cura que eu havia lhe feito.

- Bem, você realmente é um zumbi... - ele começou - Seu corpo reagiu de forma bastante peculiar ao vírus. O tempo de infecção dura minutos, em casos raros horas. Mas em você o vírus está calmo.

- Obrigado pelo diagnóstico doutor - respondi com sarcasmo - mas e a cura?

- Eu já tenho alguns comprimidos em mãos. Você os tomara, e acordara novo em folha.

- Então?

- Então que você tem péssimos órgãos. Realmente em péssimo estado. Mas seu rim esquerdo está morto.

- E o que você pode fazer a respeito?

- Pensar... Me dê um tempo para pensar.

Master Hunter se retirou do quarto onde eu estava. Porém voltou em poucos minutos com um sorriso malicioso incomum no rosto. Ele se sentou em uma cadeira a minha frente.

- Dood, temos seu rim.

Ele me encaminhou até uma caminhonete preta de vidros escuros. Como de costume a um homem com memórias rasas e sem escolhas, o acompanhei. As coisas começaram a ficar estranhas quando paramos em frente a um açougue abandonado.
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Para conhecer a história de Master Hunter, acesse: http://cacadoresbeta.blogspot.com.br

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