terça-feira, 18 de junho de 2013

Crítica: Black Mirror - Episódio 2

Uma coisa que esqueci de comentar na crítica passada, é que a série é uma antologia, ou seja, a cada episódio somos apresentados a uma história nova, um enredo novo e personagens novos. Depois que assisti o primeiro episódio de Black Mirror tive aquela sensação de amor a primeira vista. Aquela sensação de episódios e mais episódios sendo devorados com os olhos. E assim foi, esta é a segunda crítica dessa série extremamente perturbadora. O episódio da vez é...

15 Millions of Merits (15 milhões de méritos)
Imagine viver em uma sociedade onde a televisão e sua publicidade imperam e manipulam da forma que querem? Espera, a gente já vive assim né. Então deixa eu melhorar; imagine viver em uma sociedade onde toda a energia é gerada por seres humanos em bicicletas ergométricas. Essa é a ideia desse segundo episódio. Os seres humanos são confinados em seus quartos onde precisam bater uma cota de energia gerada. Esses méritos arrecadados com a geração de energia podem ser gastas com comida e entretenimento; todos eles televisivos. Como jogos ultra realistas, um programa onde pessoas gordas são humilhadas para nosso deleite, ou até mesmo uma versão futurística de um show de calouros (Parecido com American Idol, Got Talent e afins).





Nossos protagonista, chamado Bing (Daniel Kaluuya, o Black Death do novo Kick-Ass), percebe que essa vida não é "real". A realidade está lá fora, bem além dos monitores. Nesse lugar de "confinamento", ele conhece uma jovem cantora, com um sonho. E você sabe como homem fica idiota quando tá apaixonado, mas nesse caso aqui o lance toma proporções épicas, considerando a realidade em que eles vivem. O rapaz gasta quase todos seus méritos para presentear sua amada com um ingresso para participar do programa de talentos. A garota tímida mostra seu dom, canta e encanta a todos. Manda tão bem, que os jurados lhe fazem uma proposta, que pode mudar sua vida, e a vida de Bing.


Devo admitir que Daniel Kaluuya não me convenceu como o rapaz tímido e descontente com a própria vida e com tudo ao seu redor. Por isso mesmo que você só sente a dramaticidade do personagem quando surgem as cenas de revolta do mesmo. Em contra partida Jessica Brown como Abi, a menina cantora pela qual Bing se apaixona, foi perfeito. A cena em que Abi precisa fazer uma escolha um tanto quanto perturbadora em um programa ao vivo, te faz roer as unhas enquanto evita piscar.


A ambientação futurística ficou simplesmente perfeita. Monitores, telas e tecnologia por toda lado. Não vemos um resquício daquilo que conhecemos como o mundo lá fora. É interessante também ver o ponto de vista de vários cidadãos que acompanham toda a história, lógico, pelos seus televisores. Como havia citado na crítica anterior, a série fala bastante sobre a manipulação da mídia (e aliás, curiosamente ela é produzida pela Endemol, a mesma criadora do Big Brother) e aqui esse é o tema central, visto que não assistir TV não é uma opção. Após assistir esse episódio, a pergunta que você deve se fazer é: E aí? Qual é o seu preço?

Acompanhe o Teaser.

LEIA A CRÍTICA DOS OUTROS EPISÓDIO AQUI:
Episódio I - The National Anthem (O Hino Nacional)
Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Ótimo dossiê. Continuem assim!

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  2. Só acho que as bicicletas são uma alusão a nossa realidade, pois muitos vão aos seus trabalhos, fazem a mesma coisa durante anos, sem saber o porquê só para ganhar um salário. É um artificio que o diretor utilizou só para termos um ambiente mais sombrio.

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  3. Muito boa a observação ! Obrigado por me ajudarem a compreender!! Os artistas parecem os YouTuberes

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